À LUZ DA LUA
Não penso, escrevo.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Se a vida é um sonho, o problema é estar acordado.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Do Livro 1 da Metafísica até o supermercado
Há um bom tempo comecei a ler a Metafísica de Aristóteles. Fi-lo por mim mesmo. Já são anos de leitura - e a tentativa de compreender o primeiro parágrafo.
Pois bem, semana passada, estava lá, eu, inquieto, lendo o Livro I da Metafísica do querido filósofo. Algumas pausas para reflexão - tipo, “não entendi esta frase” -; algumas outras pausas por conta de um casal de bem-te-vis que reside em frente à minha janela. Enquanto eles discutiam quem ia à caça para alimentar seu filhote, eu discutia comigo mesmo: putz! um pãozinho agora ia bem…
Ok! Voltei-me à leitura. Porém, o fazia no mesmo rito de décadas atrás, me destraindo com algo e, momentos depois, retomando à obra. Eis que diante de muito esforço consegui ler algo que dizia o filósofo "[980b 25] Assim, os outros animais vivem com as aparências e com as recordações, mas compartilham pouco da experiência... (tive nova distração com o casal de bem-te-vis); o gênero dos homens, por sua vez, vive também com técnica e raciocínios... (interrupção para lembrar que menos de 10% dos humanos são assim).
Desci mais um parágrafo e parei novamente… Quando dei por mim, estava no corredor de laticínios escolhendo atum enlatado ao óleo. Não havia portal mágico, nem viagem no tempo, nem sequer feitiço ou mera imaginação. Era apenas o cérebro humano, essa máquina brilhante de procrastinação sofisticada - e esfomeada - que levou meus pés e pernas caminharem até lá. O cérebro escolhe o que há de mais importante e urgente no dia e, quietamente, diz: Agora não! Tem coisa melhor para fazer, como excluir aplicativos inúteis do smartphone.
Você, leitor, deve estar pensando (ou procrastinando como eu), “ler deve ser muito chato para você. Definitivamente, você não tem paciência com leituras”. No entanto, não é esse o caso. Sempre tive vontade de ler. A vontade é superior, porque se eu não a tivesse, aí sim seria justo dizer que é chato. Por exemplo, Gosto tanto que tenho até uma pequena biblioteca em casa! — não daquelas decorativas, com livros marxistas que nunca foram abertos, mas uma coleção honesta de obras que me olham com a expectativa de um flamenguista numa cobrança de pênalti do seu time. Outro paradigma conta com meu falecido pai. Ele vendia livros, além de ler muito. Então cresci cercado por enciclopédias, dicionários, jornais e revistas. A leitura era inevitável, quase genética. Assim sendo, é perceptível, por ora, saber que o problema não é o caso de eu não gostar de leituras.
Puxa, como é bom dialogar com autores, viajar mentalmente por mundos e ideias — principalmente com a Filosofia. Mas há aqui um detalhe técnico: sou impaciente, muito inquieto, hiperativo. Meu cérebro não funciona em modo "leitura densa" diante de 3 horas ininterruptas de percepção sensível visual - princpalmente diante de telas iluminadas (mesmo que seja um Kindle). Meu cérebrbo funciona em modo Twitter existencial, com seus 280 caracteres - acredito que boa parcela do mundo funciona dessa maneira atualmente.
Diante disso, com costumaz percepção filosófica, apresentarei alguns paradoxos, apenas para se ter ideia de como é chato se prestar a ler uma obra, que o autor levou décadas para excrevê-la, mas que em 5 minutos você a deixa de lado por qualquer distração. Primeiro, como eu posso declarar gostar tanto de ler, sendo que eu não consigo passar de um parágrafo ou capítulo de uma leitura fácil e agradavél? Tipo, adiquiri o livro caro, arrumei um espaço tranquilo para lê-lo, mas passados 5 minutos eu prefiri deixar a leitura para ir arear uma panela?
Ou seja, como pode a Metafísica de Aristóteles — um assunto caríssimo, pelo qual dedicaria toda a vida — perder a batalha para a vontade súbita de fazer embaixadinhas com objetos avulsos? Como pode um pensamento aleatório sobre “suco de tomate” ser mais interessante que os modos de conhecimentos dos animais - incluindo o mosquito da dengue - ou que as características das quatro causas de tudo o que existe?
A resposta a seguir não se refere a estas antigas questões supracitadas. Na verdade é até uma resposta simples e tão deprimente quanto arear panela. O cérebro humano é um mestre em evitar o difícil escolhendo o trivial; largar o pesado e se agarrar ao mais frágil. Será que é mais fácil ir ao supermercado comprar batata rostie do que enfrentar a densidade de uma obra que exige paciência, foco e a renúncia temporária do ego?
Nossa… Que constatação! Será que o Guanabara, além de seu propósito como supermercados, soa como uma zona de conforto filosófico? Uma espécie de Jardim de Epicuro ou de Aristóteles?
Assim eu me encontrava: prestes a abrir uma das obras mais icônicas da história da humanidade, e em vez disso estava comparando preços de “caldo de ossos”. Não foi um acidente. Foi uma fuga calculada da mente, burlando para não encarar um titã grego encarnado num livro pesado. Sim! Estudar pode ser similar a dor. Só que o nosso querido cérebro, em sua sabedoria evolutiva, decidiu que era mais seguro enfrentar os preços do supermercado do que encarar a Metafísica.
Afinal, no supermercado ninguém pergunta "o que é a Substância?” ou “quem gerou o primeiro Ser?" No supermercado, o Ser é claramente definido: é o que está em promoção no clube do assinante! E a única pergunta coerente e mais objetiva é "cartão ou pix, senhor?". "No crébito", respondo.
O mais engraçado — ou trágico, dependendo do do ponto de vista — é que um lanche durante uma leitura é importante. Comer um sanduíche de presunto enquanto se lê o Diário de Anne Frank é bem legal... Mas quando o lanche se torna o evento principal e a leitura vira o intervalo entre as compras, algo deu errado no fim último do Ser.
Aristóteles diria que isso é um exemplo perfeito de akrasia — agir contra o próprio julgamento, contra si próprio. Ora, eu sei que devo ler, sei que a leitura é importante, porém, lá vou eu, novamente, ao supermercado, porque o pão com mortadela é mais imediato, mais tangível, mais... palatável do que a questão sobre a Substância.
Enfim, assim, entre uma compra e outra, entre uma página e outra, percebo que a verdadeira metafísica não está nos livros, mas na capacidade humana de transformar uma tarde de leitura em uma expedição gastronômica reflexiva. Aristóteles mesmo acreditava que se pensava melhor passeando - eis os peripatéticos! Talvez eu tenha herdado esse DNA a respeito do conhecimento aliado à grande vontade de fazer um lanche.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
A Metafísica de Alzheimer
Sempre achei curioso que a filosofia nos ensine a enfrentar a morte com serenidade, mas não tenha produzido um manual convincente sobre o que fazer quando o cérebro resolve se aposentar no meio do percurso árduo e trabalhoso diante de toneladas de papéis - ou bytes - de tratados, ensaios e análises.
Meu medo nunca foi morrer. Morrer é quase elegante - diz aquele que tem intimidade com as obras de Heidegger. Porque a morte é definitiva. Possui um certo rigor lógico, como em Hegel.
Entretanto, antes disso, meu medo sempre foi o Alzheimer. Não! Não o neuropsiquiatra alemão Alois Alzheimer, que ao menos teve a decência de descobrir alguma coisa - bem diferente de Heidegger, Hegel, Kant ou Schweinsteiger. Meu temor, em suma, refere-se à doença. Aquela que transforma uma biblioteca inteira de Filosofia e Humanidades em um terreno improdutivo assentado pelo Boulos.
Passei quarenta anos lendo filosofia. Quarenta anos!
Meus colegas, que ascenderam socialmente - sim! Alguns já estão morando no Grajaú, outros no Catete -, aprendiam criptomoedas, mídias sociais ou a cantar funk, enquanto eu decorava distinções entre antinomias, a diferença entre potência e ato e perdia tardes inteiras com Schopenhauer - outro alemão! -, conversando “Sobre a quadrúplice raiz do princípio de razão suficiente”
E não só!
“Li toda a Metafísica, a Física e o De Anima, de Aristóteles.”
“Li a Crítica da Razão Pura, de Kant”.
“Li Ser e Tempo, de Heidegger”.
“Li estes livros inteiros!”
É uma frase que não impressiona ninguém, porque as únicas pessoas que sabem o que isso significa também perderam a capacidade de sentir qualquer alegria na vida.
O problema é imaginar que, um belo dia, eu acorde, olhe para a estante e pense:
— "Quem escreveu esse livro aqui?"
Alguém responde:
— "Oruam de Nepomuceno."
E eu retruco:
— "Ah, sim... aquele filósofo pré-socrático!"
(Isso me aterroriza).
Não por vaidade intelectual. A essa altura, já aceitei que metade do que li provavelmente entendi errado e a outra metade fingi que entendi. O verdadeiro horror é outro!
Imagine esquecer a “Crítica da Razão Pura”, mas lembrar perfeitamente de um comentário aleatório no Twitter dizendo “Lula foi o maior presidente da história, porque acabou com a fome e erradicou a miséria no Brasil” e essa ser a única frase preservada pela minha memória. Quarenta anos de metafísica substituídos por um comentário - sempre escrito depois das 12h - por alguém cuja foto de perfil é do Goku. Isso não é uma doença. É uma tratado pessimista sobre a condição humana. Sempre dizem que o cérebro guarda aquilo que tem maior carga emocional. Putz! Estou ferrado...
Porque, lendo Aristóteles - que não era alemão, mas se o fosse, não faria diferença alguma - nunca senti tanta emoção quanto a uma discussão entre uma velha jornalista e uma jovem influencer brigando por causa de um meme sobre feminismo.
Talvez, no futuro, meu neurologista pergunte:
— "O senhor sabe quem foi Heidegger?"
E eu responda:
— "Não... mas lembro que um sujeito chamado azwhart321 escreveu um fio de cinquenta postagens provando que Nietzsche, outro alemão, era comunista".
O médico anota:
"Memória episódica preservada. Infelizmente." Entretanto, há outro pesadelo. Esquecer todos os filósofos, mas conservar apenas as notas de rodapé. Imagine lembrar exatamente que a Edições Loyola coloca determinada passagem em [980a 21] sem fazer a menor ideia de quem era Aristóteles. É como lembrar o número da sua vaga no estacionamento e descobrir que você sempre andou de ônibus. Ou pior! Passaria os dias defendendo uma posição cuja tese desapareceu. Pensando bem, talvez isso já descreva alguns congressos. Também temo esquecer a filosofia alemã - não o suficiente para deixar de sofrer.
O suficiente para lembrar apenas palavras soltas. "Geworfenheit." "Vorhandenheit." "Zuhandenheit." Sem qualquer significado. Seria como ser assombrado por móveis da IKEA ou ser fotografado pelas câmeras Tekpix. E existe uma ironia particularmente cruel.
Aristóteles dizia que todos os homens desejam naturalmente conhecer [980a 21]. Imagine desejar conhecer e… esquecer, cinco minutos depois, o que desejava conhecer. É uma tragédia grega escrita por Woody Allen.
Às vezes olho para minha biblioteca e faço um cálculo mórbido. Se um dia eu esquecer tudo, quantos quilos de papel restarão representando aquilo que um dia fui? Talvez a identidade humana seja apenas isso: uma pilha de livros esperando que alguém ainda saiba por que os comprou. No fundo, o medo não é perder Aristóteles, nem Kant, Heidegger e Hegel. É perder a pessoa que levou quarenta anos para encontrá-los. Porque livros podem ser comprados outra vez. A memória, infelizmente, não possui edição revisada. Embora eu admita que existe uma possibilidade ainda mais assustadora: depois de esquecer toda a filosofia, eu finalmente compreenda o Númeno kantiano ou o Dasein heideggeriano.
terça-feira, 21 de abril de 2026
Justiça requer tempo: eis o julgamento na era da celeridade digital
Na tradição filosófica clássica, especialmente em Aristóteles, a justiça não é tratada como um ato imediato ou impulsivo, mas como uma virtude que exige deliberação racional e equilíbrio. Este tema pode ser observado em três âmbitos: pessoal, social e no poder público. No entanto, será jogada luz apenas na esfera pessoal e social - cabendo também como reflexão para a esfera superior do poder público.
Primeiramente, não se pode ignorar o fato de que a capacidade de julgar corretamente em situações concretas - prudência - constitui elemento central desse processo, pois permite ao agente ponderar circunstâncias particulares e agir de modo adequado ao bem. Ademais, a ética aristotélica compreende a virtude como hábito - que é uma disposição a ser adquirida ao longo do tempo -, o que implica que a formação moral depende de um processo contínuo, de experiências concretas, e não de reações instantâneas, impulsivas. Todavia, no momento presente, especialmente com o advento da Internet e das redes sociais, observa-se uma celeridade dos julgamentos sociais, frequentemente desvinculados desse tempo necessário à reflexão ética.
Nesse contexto, sustenta-se que a celeridade dos julgamentos na esfera digital compromete a própria ideia de justiça, pois elimina o tempo necessário ao arrependimento e à deliberação prudencial, transformando o juízo moral em mera reação impulsiva.
Em primeiro lugar, a justiça em geral pressupõe tempo para a ocorrência do arrependimento e da prudência - isto é, sabedoria prática. Isso porque a prudência não opera de forma abstrata, mas se orienta pelas circunstâncias particulares, práxis, exigindo análise cuidadosa de cada situação concreta. Sem esse intervalo temporal, não há espaço para a revisão de ações, tampouco para a integração adequada das paixões à razão. Assim, quando o julgamento ocorre de forma instantânea, como nas dinâmicas virais das redes sociais, suprime-se a possibilidade de correção moral e de aperfeiçoamento ético, reduzindo a justiça a um ato completamente precipitado.
Além disso, a ética aristotélica concebe a virtude como um meio-termo entre extremos - como, por exemplo, o equilíbrio entre a apatia e a agressividade -, o que implica moderação e equilíbrio. A ausência de tempo, nesse caso, favorece o predomínio de excessos, como a ira desmedida, que substitui o julgamento racional por reações emocionais sem qualquer virtude. Nesse cenário, o que se denomina “justiça” passa a assumir caráter punitivo e vingativo, afastando-se de sua finalidade ética: realização do bem e da excelência moral. Logo, a celeridade não apenas distorce o processo de julgamento, mas também corrompe sua finalidade, convertendo-o em instrumento de ostracismo imediato e de vingança, não de transformação moral.
Dessa forma, conclui-se que a justiça, para manter seu caráter ético, requer necessariamente tempo para reflexão, arrependimento de uma das partes e deliberação prudencial. A lógica da celeridade digital, ao eliminar esse intervalo, inviabiliza a formação da virtude e compromete a própria ideia de julgamento pleno. Portanto, preservar o tempo, literalmente, como condição da ética é indispensável para evitar que a justiça se degrade em mera reação coletiva, impulsiva, desprovida de racionalidade e finalidade moral.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Trad. António de Castro Caeiro. São Paulo: Atlas, 2009.
https://indexlaw.org/index.php/HermeneuticaJuridica/article/view/4879 SOBRE A JUSTIÇA NO HORIZONTE DA PHRONESIS: LEITURAS DA ÉTICA A NICÔMACO DE ARISTÓTELES.
https://jus.com.br/artigos/67646/fragmentos-de-justica-nicomaqueia-como-permanece-vivo-o-pensamento-aristotelico-em-decisoes-do-tribunal-de-justica-do-rio-grande-do-sul Fragmentos de justiça nicomaqueia: como permanece vivo o pensamento aristotélico em decisões do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul
sábado, 21 de março de 2026
Que Neurose!
Deus – deus fluido –, por que eu, Woody Allen, branco, homem, hétero, judeu, hipocondríaco de Manhattan com medo de sol, venho gravar na “cidade maravilhosa” e me deparo com uma cultura “woke” no Rio de Janeiro? Lá em Ipanema, mulheres cis (sic) ofendem mais por fazerem “topless” do que um assalto à mão armada; eu suaria frio: "O ‘Y’ do meu cromossoma é transfobia!?". Relativismo moral no Rio? Vejam! A verdade não existe - exceto o Samba da G.R.E.S. Acadêmicos de Niterói e a importância da primeira dama do Brasil no cenário geopolítico.
No Rio, sorrateiramente, se comenta: “‘mulher biológica’ vira crime pior que feminicídio”. “Erika Hilton processaria meu biquíni ‘fio dental’, ainda que seja da Shein”. “'CIS' soa como “Comissão Internacional Socialista”, não tem nada a ver com ser homem ou mulher”.
Reflito algo. Sei que Foucault já esteve no Rio de Janeiro. Deu palestras, relativizou a feiúra e posou diante do Pão de Açúcar: "A VERDADE (pausa dramática), aquela que muitos dizem ser inconteste, NA VERDADE é uma construção". Logo, a construção é uma construção - entrará no roteiro. Filosófico isso. Gostei!
A biologia é negada, da mesma maneira que minha alvi epiderme nova-iorquina esteja recém bronzeada. Piada: no Rio, a fórmula de Bhaskara - que é indiano - é "matemática racista"; eu ligo pro terapeuta: "Doutor, sou fluido ou estou derretendo nesse calor carioca?".
Teoria do conflito no Rio: opressor na favela ou no Leblon? Eu, turista branco nova-iorquino, carrego uma "dívida histórica" por pedir feijoada completa para duas pessoas. Quem seria a outra? Zumbi, Dandara ou algum aluno de Serviços Sociais da UERJ? Tá, vamos lá! Sou o vilão branco judeu-neurótico, com dívidas históricas por… rir de mim mesmo. Ah, confesso: tenho ansiedade por acordar homem.
Li sobre Paulo Freire. Li também uma de suas obras. Ele radicaliza com uma educação conectada ao cotidiano dos alunos e as suas experiências – no Rio, seria interessante educar em meio à invasão de uma facção à outra; educar em pleno “Jacaré x Jardim de Alah” em um domingo de sol. Piada curta: "Freire no Brasil: eduque revolucionários; eduque em consonância com marxismo. No Rio: eduque para responder aos processos do PSOL". Racismo estrutural? Meu sotaque gringo é "supremacia sionista" na Lapa.
Li que a Deputada Erika Hilton encontra-se caçando dissidentes, na capital do país. No Rio, às vítimas da sociedade, foi garantida a caça mediante posse de armas, além da concessão do direito de cometer quaisquer crimes - afinal, eles são vítimas.
Outro fato: Isadora Borges processada por ser, digamos, biologista? Outra lá, dedicada mãe e simples mulher - não trans - presa por escrever com batom numa estátua. Com batom? Deve ter sido um lindo poema, de fato. Batom me remete às doces lembranças dos arredores de Manhattan. Diferentemente do que meus país judeus diziam: Em nossa época, quando víamos tinta escrita em nossos portões de casa, tínhamos que passar a viver no porão - por isso que você é calvo e tem 1,63 de altura.
No divã carioca, confesso: sobrevivo ao calor intenso, sobrevivo à Érika Hilton falando aos berros e também continuo vivo sendo hiperativo no calçadão de Copacabana. Amanhã, outro pavor: seria eu woke ou só um gringo perdido no Fashion Mall?". Riam da miséria, sim! No Rio, rir é resistência.
segunda-feira, 16 de março de 2026
Rua Hannah Arendt, 666. Malengo. Rio de Janeiro/RJ.
sábado, 14 de março de 2026
Deixaram elus chegar? Fudeu!
Se a vida é um sonho, o problema é estar acordado.
Tenho começado a desconfiar que dormir é uma atividade intelectualmente superior a viver. Digo isso, porque, é apenas dormindo que se pode...
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Por Venerável Juremo. Eu estava lá, sentado no balanço da praça do meu bairro, pensando em algumas questões filosóficas. Seguia tentando ent...
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Há muito tempo, coisa de uns 3 anos atrás, estava eu vindo do trabalho, quando me deparei com dois adolescentes, estudantes, namorando próx...
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Deus – deus fluido –, por que eu, Woody Allen, branco, homem, hétero, judeu, hipocondríaco de Manhattan com medo de sol, venho gravar na “ci...

