quinta-feira, 12 de março de 2026

Monólogo Ansioso sobre Pastel, Filosofia e Outros Sinais do Colapso da Civilização

Imagens | ChatGPT

Fui a Porto Alegre com meu amigo Ciolu e um amigo dele chamado Oruam. Já começo dizendo que viajar com duas pessoas é complicado porque cria uma espécie de micro-sociedade instável: duas pessoas podem discordar e ainda assim sobreviver, três pessoas formam facções. Além disso, viajar sempre me deixa nervoso. Não por medo do avião — morrer em um acidente aéreo seria quase elegante, uma morte geométrica, organizada, com estatísticas envolvidas -, mas viajar significa comer em lugares desconhecidos, e comer assim significa entregar sua vida a alguém que pode ter aprendido culinária indiana, por exemplo, vendo vídeos de três minutos na internet.

Agora, esse amigo do amigo é complicado. Sempre que teu amigo diz “esse aqui é um amigo meu”, eu fico apreensivo. Porque isso cria uma relação moralmente indefinida. Se a pessoa fizer algo constrangedor, eu devo intervir? Ou posso alegar que a responsabilidade social, nesse caso, é do Ciolu? A ética da amizade indireta é um problema filosófico que ninguém parece disposto a resolver.

Oruam, aliás, não é o Oruam das pastas de retrato falado da delegacia, nem daquele famoso cantor do Youtube. Embora, depois do desembarque em Porto Alegre, eu tenha começado a suspeitar que muitos artistas talvez surjam exatamente em um momento de desespero, cantando frases incompletas para estranhos enquanto tentam descobrir se aquilo é arte ou apenas um colapso nervoso em forma de música. Enfim…

Chegamos à cidade com fome e dinheiro suficiente para comprar aproximadamente um conceito de refeição, mas não uma refeição real. Essas condições, quando combinadas, historicamente produziram revoluções, golpes de Estado e restaurantes universitários.

Então fizemos o que qualquer trio de homens em crise existencial faria: compramos pastel com caldo de cana. Agora, existe algo profundamente perturbador sobre pastel barato em cidade desconhecida. Você olha para ele e começa a pensar em coisas que nunca pensaria normalmente: Esse óleo ainda é aquele da década de 90? Esse óleo lubrifica propulsores de foguetes da NASA? O que você sugere como sobremesa? Desengordurante?

E a pergunta que deu vontade de voltar à barraquinha e perguntar ao dono: Quem decidiu que aquilo era recheio?

Dei uma mordida.

Não era carne, não era queijo, não era vento — era algo entre os três. O óleo era tão predominante que, por um momento, pensei que talvez estivéssemos participando de algum experimento culinário inspirado em Friedrich Nietzsche: se você encara o abismo do óleo, o óleo encara você de volta.

O pastel tinha aquele tipo de sabor que só pode ser descrito como ontologicamente incerto. Ele tinha gosto de óleo. Não “gosto de óleo”, mas gosto apenas de óleo. Era como morder um livro da Judith Butler.

A cana, por sua vez, era intrigante. Porque caldo de cana deveria ser doce — isso é praticamente um axioma da natureza. No entanto, aquele líquido tinha um gosto que lembrava a água da qual a dengue desistiu da vida.

Foi nesse momento que Oruam tomou uma decisão. Ele se levantou. Quando alguém se levanta abruptamente em espaço público, existem três possibilidades: vai ao banheiro (normal), vai embora (impossível), vai fazer algo profundamente constrangedor (bingo!).

— Vou cantar.

Eu senti uma leve dor no estômago que, por um instante, achei que fosse o pastel. Depois percebi que era antecipação social do desastre, ou vergonha alheia mesmo.

Ele começou:

— “Antes de pensar em matar…”

E parou.

Silêncio. Ele não continuou.

— Isso é a música inteira? — perguntei.

— Ainda estou compondo…

— Então por que começou pela parte homicida?

— Impacto artístico.

E ele repetia a frase. Para cada pessoa que passava.

— “Antes de pensar em matar…”

Agora, existe algo profundamente perturbador em ouvir metade de uma frase ameaçadora repetida por um desconhecido em uma praça. As pessoas reagiam de maneiras previsíveis: algumas riam nervosamente, outras aceleravam o passo, e um senhor fingiu atender um telefone que claramente não existia. Eu senti uma mistura educação e medo — o mesmo que você usa quando um desconhecido no metrô começa a explicar física quântica usando apenas gestos manuais.

Oruam ria. Começava a frase, interrompia-na abruptamente e ria. Era uma risada estranha. Não era alegria. Era a risada de alguém que percebeu que talvez esteja vivendo uma versão experimental da própria biografia.

Decidimos então sentar numa praça. Sentar numa praça é sempre perigoso intelectualmente, porque o cérebro humano, quando o corpo está parado e mal alimentado, tende a produzir filosofia espontânea.

Em poucos minutos estávamos discutindo Hannah Arendt.

Não lembro exatamente como chegamos nisso. Acho que alguém mencionou autoridade, depois responsabilidade, depois violência — e de repente estávamos analisando a antiga Czechoslovakia enquanto segurávamos copos de caldo de cana emocionalmente deprimido.

Depois o assunto virou krav-magá.

Ciolu argumentava que certos golpes funcionam como vírgula.

— Interrompem a frase da pessoa.

— E o ponto final? — perguntei.

— No nariz — respondeu ele.

Oruam discordava.

— O golpe perfeito é reticência.

— Como assim?

— Porque depois dele…

Essa foi provavelmente a frase mais profunda dita naquele dia.

Foi então que Ciolu fez amizade com um mendigo. Isso aconteceu de maneira tão rápida que até hoje suspeito que Ciolu possua algum tipo de talento sociológico secreto: esmola. Provavelmente as únicas moedas que possuímos foram objetos de um gesto admirável.

— Estamos discutindo filosofia política e artes marciais — disse ele ao homem. — Quer participar?

O mendigo aceitou imediatamente. O que me levou a duas hipóteses: ele era um pensador subestimado, ou simplesmente estava entediado. No entanto, antes que qualquer diálogo mais profundo acontecesse, Oruam, obviamente, interpretou isso como oportunidade de público.

— Vou cantar pra ele.

Eu tentei intervir.

— Talvez ele esteja tendo um dia difícil…

Tarde demais.

— “Antes de pensar em matar…”

Ele cantou olhando diretamente nos olhos do mendigo. Em seguida, testemunhei algo impressionante: o homem pareceu ficar mais triste. Eu não sabia que isso era possível. Existe um ponto em que a tristeza deveria saturar, como um copo cheio, mas aparentemente o ser humano possui capacidade infinita para decepção artística.

O homem ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois disse:

— Vocês não são daqui.

Confirmamos.

Ele então se inclinou para frente, conspiratório, e disse:

— Tem uma coisa estranha acontecendo em Porto Alegre.

Minha mente imediatamente começou a produzir teorias: crise econômica, fenômeno cultural, talvez algum movimento filosófico clandestino inspirado no MST. Só que não.

— Fiscais de qualidade.

Silêncio.

— Eles aparecem do nada — explicou ele — e o pior é quando eles vão em cima dos pastéis. Isso me deixou profundamente inquieto. Porque há pouco havíamos devorado alguns.

— Perguntas de que tipo?

— Por que não se usa garfo e faca para degustar essa iguaria popular? Você usa ketchup dentro ou fora da massa do pastel?

Ciolu começou a suar. Já eu, comecei a rir.

— E o que acontece se o pastel for ruim?

O mendigo deu de ombros.

— Nada. Eles só olham para você com decepção.

Agora, a decepção silenciosa é uma das forças mais destrutivas da psicologia humana. Crítica você discute. Insulto você rebate. Mas decepção… decepção te obriga a reconsiderar todas as escolhas que fez desde a infância.

Foi nesse momento que percebi algo perturbador. Oruam estava olhando para o próprio pastel.

— Sabe — disse ele — acho que entendi a Hannah Arendt.

— Você leu Arendt?

— Não.

— Então o que entendeu?

— A banalidade do mal. Querem nos matar com pastéis.

— E?

— Talvez o verdadeiro mal banal seja isso aqui. - Oruam ergueu o pastel.

O mendigo assentiu lentamente.

— Antes de pensar em matar. Pense em dar educação… - continuou Oruam.

— Putz! Evoluiu - comentou Ciolu.

Porque, pela primeira vez naquele dia, alguém havia formulado uma tese filosófica empiricamente verificável. E, pela primeira vez também, Oruam cantou mais que cinco palavras - e menos que dez - um tanto coerentes para quatro indivíduos tristes e famintos.

— Pastel sem sabor — disse o mendigo.

E ficamos ali, em silêncio, contemplando a possibilidade perturbadora de que talvez o eventual colapso da civilização não venha por causa da extinção das abelhas, aniversário de supermercados, contendas entre movimentos estudantis ou por conta do fim do TikTok. Talvez venha simplesmente porque alguém decidiu que óleo suficiente já é um novo e saboroso recheio.

terça-feira, 10 de março de 2026

A contenda da possibilidade com o ato


Por Venerável Juremo.

Eu estava lá, sentado no balanço da praça do meu bairro, pensando em algumas questões filosóficas. Seguia tentando entender Aristóteles enquanto uma adolescente berrava retumbantemente o nome do seu filho perto da minha orelha como um Kraken com tesão por filosofia.

Gente, eu sou um cara comum, professor de cursinho pré-vestibular que vive sonhando com enteléquias em vez de ocupar meus pensamentos com ônibus lotados, e naquele dia decidi que ia aplicar a metafísica na vida real – porque, afinal, se o Estagirita resolveu o universo com quatro causas, eu ia resolver meu trajeto até Abu Dahbi com potência e ato.

Primeiramente, a POTÊNCIA, sabe como é, né? É aquela capacidade latente de algo poder vir a ser, tipo a semente que sonha em ser árvore sem nunca ter visto um gari da Comlurb - quiçá a Fundação Parques e Jardins. Depois, o ATO é a atualização plena dessa capacidade, o estado realizado e completo, onde o que era só possível agora existe em plenitude, como uma árvore adulta (porém já como potência para vir a ser uma escrivaninha ou uma cama beliche sendo anunciada pelo "velho da Havan". Coitada!).

No dia seguinte, saí de casa potencialmente às sete, mas em ato às nove e meia. Potência pura: meu corpo como possibilidade de chegar ao trabalho, minhas pernas em potência de correr uma maratona, minha vida como capacidade de não virar estatística do OTT.

Todavia, veio o que muitos já esperam das ruas do Rio de Janeiro, né? Na esquina de uma rua próxima, dois caras de bondes rivais trocavam tiros como se fossem figurinhas da Copa do Mundo. "Ei, Juremo!", gritou o Mohamed, meu vizinho, que em potência é médico, mas em ato é olheiro do Comando. "Corre pro ato, irmão, que o devir tá feio hoje!". Eu pensei: sim, o movimento está sinistro hoje! Ele costuma atualizar em potência armada ameaçando qualquer possibilidade de eu procriar e gerar herdeiros. Corri, tropeçando em um cachorro vira-lata que, em potência, era um enorme lobo, mas em ato era só um monte de pelos caramelos.

Chegando na outra esquina, em frente à padaria, o pão em potência de ser quentinho atualizou-se em farinha no chão – tiroteio de novo, agora com a PMERJ chegando para atualizar a potência de paz em ato de caos redobrado.

Eu me joguei atrás do balcão, suando como Sócrates após a cicuta, e o padeiro, seo Dierre, um sujeito barbudo que lê Schopenhauer nas horas vagas - e até mesmo enquanto atende os clientes -, me disse: "Juremo, na verdade isso é o devir hegeliano, só que com fuzil e objetos de calibre .762! Neste cenário, a tese do tráfico encontra a antítese da polícia na síntese de buraco no peito". "Não, não!", retruquei, enquanto uma granada em potência de explodir se atualizava a treze metros: "É aristotélico: o narcotráfico em potência de paraíso virando ato de inferno, com o kinesis e todo o seu movimento guiado pelo tráfico como causa final – afinal, quem precisa de Deus quando se tem o Comando no controle, não é?".

E eu lá… Entre pães, cavacas e farinhas, rindo daquilo tudo junto com o padeiro, acabei me flagrando imaginando a minha tese de doutorado sobre enteléquia, hilemorfismo e aitia sendo interrompida por um "pah-pum… É nós, filho da puta!" que atualiza minha potência de filósofo em ato de presunto sabor pólvora.

Eis que chego na estação do metrô, lotado como a alma de um niilista em feriado religioso, um assaltante em potência de vítima da sociedade me atualizou para o ato de trouxa: "Perdeu, mané! Me dê o celular, ou o devir do teu story vira eternidade!". Expliquei pra ele, entre o pavor e o delírio, que eu era um mero professor: "Mas irmão, isso é só kinesis, i.e., é só agitação, movimentação. Tudo bem! Tudo bem… Minha potência financeira está no banco, mas em ato ela está no teu trinta e oito!". Ele riu – riu mesmo, como se eu fosse o Woody Allen – e me devolveu o celular: "Em potência sou suspeito, mas em ato sou senso de humor. Tu és engraçado, cara! Vá dar tua aula, professor".

Saí na Cinelândia pensando: será que Aristóteles previu isso? O devir teleológico do carioca é virar herói de filme de quinta categoria, florescendo não em árvore, mas em escudo humano entre gangues do narcotráfico.

No fim do dia, de volta ao meu bairro, vi minha namorada, que em potência era psiquiatra, mas em ato era chapeira do Estagira Lanches. "Juremo, você tá vivo? Que enteléquia é essa de suar frio?". Abracei-na, sentindo o ato pleno da nossa potência amorosa – até o som de fritura em meio às retumbantes pás de um helicóptero atualizarem-me em pânico.

No Rio, a metafísica não é abstração; é o devir diário onde a potência de um dia normal floresce em ato de tragédia. E eu, ansioso-TOC-hiperativo-hipertenso como sempre, só penso: se o Aristóteles visse isso, escreveria uma nova “Parva Naturalia - edição para cariocas" e ganharia outro Prêmio Nobel póstumo. Mas quem sou eu pra julgar? Amanhã o devir continua – teleológico, irônico e com farta munição.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

QUANDO O LEVIATÃ DORME, O LOBO ATACA.

Produzido por Gemini I.A.

A cada novo tiroteio, barricada ou bairro dominado, o Rio de Janeiro parece confirmar uma antiga profecia filosófica. Thomas Hobbes, pensador inglês do século XVII, afirmava em sua obra LEVIATÃ (capítulo XIII) que, quando o poder soberano se enfraquece, a sociedade retorna ao estado de natureza — uma condição em que os indivíduos, movidos pelo medo de perderem suas vidas e pelo desejo de poder, agem apenas segundo seus próprios interesses. Nessa ausência de leis e de autoridade legítima, instala-se inevitavelmente a guerra de todos contra todos. Assim, de modo quase literal, o Rio de Janeiro de hoje se assemelha ao retrato contemporâneo dessa selva hobbesiana, onde o caos substitui o contrato social e o medo volta a governar.

Hobbes viveu em meio à Guerra Civil Inglesa e viu o que acontece quando ninguém teme mais o Estado - o poder que o povo delegou a um soberano. Para o filósofo inglês, de fato, esse Estado nasce quando as pessoas renunciam a parte de sua liberdade em troca de segurança, concedendo poder absoluto a seu representante - no nosso caso, por voto popular. Mas quando o medo de facções criminosas supera o medo da lei, o pacto social pode ser declarado impotente.

Eis o que vemos: o Estado perdeu o monopólio da força e, nesse vácuo, novos senhores da guerra ocuparam-se. A título de exemplo, facções e milícias não pedem votos — impõem obediência. Não prometem justiça — vendem “proteção”. Criam-se assim microestados dentro do Estado, cada um com suas LEIS, TRIBUTOS E, COMO SANÇÃO, EXECUÇÃO. Hobbes chamaria isso de “a dissolução do contrato social”.

Para ele, a política nasce do medo da morte e não de virtude; do receio de alguém lhe atacar a qualquer momento e não a de se querer o bem ao próximo. Sendo assim, onde a lei oficial do Estado se enfraquece e já não é capaz de impor respeito por meio de suas sanções e de sua autoridade, em seu lugar emerge a lei do fuzil — a única que ainda inspira temor e obediência. O cidadão comum, entre a polícia ausente e o poder das facções presentes, volta a ser súdito do medo. Porém, de um medo aliado a um sujeito sem direitos acordados no contrato social, muito menos de DIREITOS CIVIS.

A ironia é cruel: o mesmo medo que criou o Estado agora o destrói e erege outro mais temível ainda sem legitimidade alguma. Quando o governo oficial eleito aparece só com operações espetaculares — sem escola, hospital e justiça — o povo é submetido a outros protetores que não foram eleitos e que impõem sua força, queiram ou não. 

O remédio hobbesiano é duro, mas claro: só um Estado forte (no nosso caso, de direito e democrático), pode restaurar a paz. Não o monstro que devora liberdades, mas o Estado que cumpre com o contrato, impondo e exercendo leis (por meio da vontade dos cidadãos), que ocupa seus territórios com instituições e áreas de lazer. Pois, onde o Estado se ausenta, o lobo volta a atacar; seu instinto é o poder e a glória, seus caninos são pontudos como os fuzis.

Talvez seja essa a lição amarga de Hobbes ao Rio: enquanto o poder público hesitar, as facções e milícias continuarão legislando à ferro e pólvora, jogando os corpos dos seus súditos desviados e rivais pelas ruas e praças como demonstração de poder.

E nós, pobres eleitores, acuados entre o medo extremo e a indiferença, continuaremos sonhando com um Leviatã que PROTEJA, e não aquele deglutidor de direitos; seguimos impingidos, de quando em quando, com gesto de memória muscular, exercendo nosso papel de cidadão elegendo aquele que nos promete (e que facilmente não cumpre) - refazendo o velho cíclo de Estado ausente e facções presentes.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Apolítica


Um ato de violência política não revela apenas um crime de uma ação isolada. Ele expõe a fragilidade de nossas crenças políticas.

Depois dos tristes fatos ocorridos na política global, entre guerras, assassinatos e violências diversas, viu-se uma debandada - agora da esquerda - não por julgarem a oposição superior, mas porque descobriram que ambas as tribos partilham da mesma capacidade de desumanizar. O choque não foi contra o outro, mas contra a própria ilusão de pertencer a uma comunidade moralmente pura.

Durante muito tempo, a crença sustentava que “o nosso lado” era o da empatia, da justiça, da liberdade - enfim, do amor. Essa crença conferia identidade e sentido. Mas, ao assistir a desumanização de indivíduos não como antagonistas de ideias, mas como ser humano, a ilusão caiu. Descobriu-se que a tribo da moralidade superior também se deixa guiar pela mesma cegueira que acusa no adversário.

Esse despertar é assustador. Ele obriga a perceber que construímos parte de nós em torno de uma mentira coletiva. Pois, não é possível carregar uma narrativa por muito tempo. Alguma contradição sempre aparece. Com isso, ou mente-se para sempre - criando malabarismos para justificar-se - ou leva um susto e muda. Mas o susto carrega uma promessa: a de libertar-se da lógica tribal. Pois se nenhuma comunidade possui o monopólio da moralidade, a liberdade começa quando nos tornamos capazes de pensar sem as correntes ideológico-partidárias.

É preciso lembrar que renunciar às identidades tribais não é renunciar à política, muito menos à própria identidade. Ao contrário, é o caminho para reencontrar o espaço público como lugar plural, onde o outro não é inimigo, mas oposição - quer discorde dele, quer não. Assim sendo, nota-se que a verdadeira liberdade nasce dessa renúncia: quando o pensamento deixa de ser ditado pelo medo de trair a tribo e se abre para a condição humana comum.

Logo, se há um legado possível diante da violência, talvez seja este: a consciência de que nenhuma tribo nos salvará. Apenas nós, em nossa capacidade de agir sem ilusões de superioridade, podemos reconquistar a liberdade da mente e o sentido da política.

domingo, 17 de agosto de 2025

ATUALIZAÇÃO BETA v.5.7.0: AGORA MEUS ELETRODOMÉSTICOS SÃO PÓS-ESTRUTURALISTAS

Dizem, os pós-estruturalistas, que a linguagem constrói a realidade. Isso é ótimo, exceto nos dias em que eu preferiria que minha realidade viesse pirateada, com todas as etapas e funções desbloqueadas, atualizadas e traduzidas para o grego, enquanto eu descansava em minha mansão de frente para o mar Egeu.

De volta ao Oceano Atlântico, mais precisamente à Baía da Guanabara, é de se admirar tamanha ousadia: o pós-estruturalismo nos prega situações dignas de… se amar. Sabe-se que tem aquele cara que é viciado em leitura — e até aí, tudo bem. Mas, convenhamos… Passar 24 horas por dia agarrado às brochuras dos cânones franceses pós-modernos, como se a retina estivesse em ininterrupta sociedade com a benzoilmetilecgonina, é dose! Essas e outras situações foram constatadas, pelo menos nos últimos 4 anos, que tais indivíduos chegavam a níveis transcendentais a ponto de uma socialista-psicóloga ter que consultar a bibliografia inteira de Michel Foucault antes de postar que o verbo “vencer” é opressor demais para ser enunciado.

Se Foucault estivesse vivo, provavelmente teria um canal no YouTube e uma conta no Instagram para explicar como o poder opera por meio dos stories e reels.

O pós-estruturalismo oferece ótimas ferramentas para desvelar o mundo como ele é e escancarar toda sua complexidade fluida - e asquerosa. Imaginem só, um mundo moldado por uma pessoa que não para de tagarelar coisas aleatórias? Numa hora tu estás diante do belíssimo Estádio do Flamengo lotado por sua torcida. Daí, você se vira. Poucos segundos depois, quando você olha de volta, dá de cara com uma imponente mesquita com arquitetura da “Magic Kingdom” da Disney World; ao fundo uma imensa roda-gigante, enquanto que os líderes religiosos vestidos de Mickey Mouse, MC Pipokinha, Bumblebee e Optimus Prime, andam pra lá e pra cá pregando aos berros: Meditem! Meditem!

Partindo disso e admitindo que o discurso constrói a realidade, temo que o meu mundo tenha sido erguido sobre fundamentos linguísticos por ordens diretas do tipo “Vai chupar um canavial de rola”. O resultado seria uma civilização peculiar, em que o setor primário da economia teria forte apelo oral e as aulas de geografia envolveriam mapas agrícolas extremamente constrangedores. Imaginem! Até uma Bolsa de Valores de commodities, só que com cotações baseadas em produção de… Bem, prossigamos.

O pós-estruturalismo já nos avisou também: não existe significado fixo, permanente. O que há, de fato, é só um jogo infinito de interpretações. Traduzindo para a vida prática: você nunca sabe se a pessoa disse “Vá chupar cana” ou “Vá chupar rola”. E ainda tem gente que acha que isso é um problema moderno. Não, é um problema antigo. Desde a época das primeiras civilizações, dos nossos antepassados longínquos. Evidentemente, o vulgar “vá chupar um canavial de rola” já foi proferido pelos mais diversos idiomas, pelas mais remotas civilizações. Só que agora as redes sociais deram ao discurso o equivalente a um megafone interplanetário.

Pois é! Vivemos em um tempo onde o discurso não é apenas o que você diz à algumas pessoas, mas o que você posta e o mundo inteiro lê ou vê imediatamente - e, mais recente ainda, agora o mundo inteiro fica perplexo diante das conflitantes peripécias que a Inteligência Artificial produz. Sem contar o fato de que o que você posta não é exatamente o que você quer dizer, mas o que você acha que ficará bonito com um filtro e a mesma dancinha de sempre, é claro! É a “vida líquida” - conceito de Zygmunt Bauman; já eu, chamo de “mundo rosa” -, aquele em que todos estão felizes, são inteligentes e incrivelmente bem iluminados. E o que ilustra muito bem são o Instagram e o TikTok. Eis a nova Metafísica: todos têm uma essência muito próspera e meticulosamente editada por filtros, efeitos e, claro, discursos/ linguagens vazias sob uma dancinha asquerosa.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

SOMOS VERDADEIRAMENTE HUMANOS? REFLEXÕES SOBRE O TRABALHO EM MARX


Há algo profundamente inquietante no modo como vivemos, trabalhamos e existimos em sociedade. Essa inquietude silenciosa e muitas vezes invisível impingiu o filósofo e economista alemão Karl Marx (1818 — 1883) a desenvolver uma das críticas mais profundas à condição humana na modernidade. Em seus “Manuscritos Econômico-Filosóficos” de 1844 — publicados em 1923 — , Marx nos convida a refletir não apenas sobre o funcionamento da economia, mas sobre algo muito mais íntimo: o que nos torna verdadeiramente humanos?

Neste contexto, Marx rompe com noções econômicas de sua época, advindas, principalmente, do economista Adam Smith (1723 — 1790). Ademais, o filósofo alemão dialoga com outro filósofo conterrâneo, Friedrich Hegel (1770 — 1831) sobre concepções tradicionais — tanto metafísicas quanto teológicas. Além destes dois principais, tanto o economista quanto o filósofo, Marx se destacava diante dos demais pensadores que viam a natureza humana como uma essência fixa, imutável, criada por Deus ou moldada puramente pela razão. Contra essa visão, ele defende uma concepção dinâmica e histórica: o ser humano não nasce pronto, ele se faz, e esse processo se dá, sobretudo, através do trabalho. Trabalhar, para Marx, não é apenas uma prática visando a preservação do indivíduo ou, simplesmente, sobrevivência: o trabalho é um ato criativo, vital, existencial. É pelo trabalho (práxis) que transformamos a natureza e, ao mesmo tempo, nos transformamos — revelando que homem e natureza formam, na verdade, uma só unidade.”


Imagine, por exemplo, um artesão moldando a madeira para criar um violino. Cada curva esculpida, cada detalhe é mais do que técnica: é a expressão de sua subjetividade, de seu tempo, de sua história. Nesse processo, o ser humano se objetiva: coloca algo de si no mundo. O objeto criado carrega sua marca, seu gesto, seu gosto, sua humanidade. Porém, e se esse violino, ao invés de ser expressão humana e natural, tornasse-se uma mercadoria imposta, feita em série por máquinas, alheia ao artesão que o produziu? Eis aí o estranhamento — a essência do drama que Marx denuncia.

Nesse cenário, o capitalismo surge como um véu que encobre essa potência humana. Na chamada “economia política tradicional”, o trabalho deixa de ser uma atividade plena e passa a ser apenas um meio de subsistência. O trabalhador não se reconhece mais no que faz, não emprega mais sua história, sua cultura, o seu DNA (no sentido figurado, óbvio). O que deveria ser a mais profunda realização de sua humanidade torna-se uma prisão cotidiana, onde o indivíduo não pode mais, livremente, conceber os percursos da sua vida. O produto do trabalho já não lhe pertence. Ele se torna estranho diante daquilo que criou, como um pai que não pode reconhecer e cuidar do próprio filho.

Marx descreve esse fenômeno com dois conceitos centrais: alienação e fetichismo da mercadoria. De acordo com o filósofo a alienação é o distanciamento entre o trabalhador e sua obra. O trabalho, antes expressão de liberdade, vira uma obrigação mecânica, tornando-o banal — um “ganha-pão”. O trabalho (práxis) aliado à própria natureza, que deveria ser o espelho da criatividade humana, converte-se em instrumento de opressão. Diante disso, o homem perde a si mesmo no ato de produzir. O fetichismo da mercadoria, por sua vez, é talvez um dos mais trágicos disfarces da modernidade: os produtos criados pelo trabalho humano ganham “vida própria”, são adorados, valorizados, comprados e vendidos como se tivessem poder em si mesmos — enquanto o trabalhador, criador de tudo isso, permanece invisível, descartável. Em outras palavras, a mercadoria brilha, o ser humano se apaga.

Neste processo, o capitalismo inverte a lógica da existência humana: transforma sujeitos em objetos, e objetos em sujeitos. Os que detêm os meios de produção — os capitalistas — acumulam riqueza, enquanto os trabalhadores são reduzidos a números, a peças em uma engrenagem impessoal e insaciável. A famosa passagem do Manifesto Comunista ecoa com força aqui: “Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, opressor e oprimido…” — essas oposições revelam a perpetuação de uma luta que desumaniza.

Marx nos obriga a encarar uma verdade desconfortável: vivemos em um sistema que nos afasta de nós mesmos. E mais do que uma constatação teórica, isso é um grito. Um grito que vem do trabalhador exausto, da mãe que trabalha dobrado para sustentar os filhos, do jovem que não se vê no que faz. O trabalho — que deveria ser fonte de dignidade — é transformado em rotina opressiva, em alienação existencial.

Contudo, essa crítica não é um fim em si. Marx aponta para um horizonte. Ele acredita que essa realidade pode ser superada. Pois o ser humano, ao contrário das demais espécies, possui a capacidade singular de criar com consciência, de produzir não apenas para si, mas para os outros, em liberdade e solidariedade. Enquanto os animais produzem por instinto, o homem produz com intencionalidade, sensibilidade e propósito universal.

Assim, compreender a natureza humana, segundo Marx, é entender que ela se realiza na práxis, ou seja, na ação transformadora sobre o mundo. A humanidade não é uma condição pronta: ela é um processo histórico e coletivo. É na criação de ferramentas, de arte, de cultura, de linguagem e de relações que o ser humano se descobre — e se redescobre.

Enfim, ao olharmos para nossas mãos calejadas, nossos rostos cansados após o expediente, para nossas angústias diante de um mundo que nos exige produtividade constante, talvez possamos entender um pouco do que Marx quis dizer. Não estamos apenas sendo explorados economicamente — estamos sendo privados de nossa própria humanidade. No entanto, a esperança não foi extinta. Porquanto, se somos feitos históricos, também podemos nos refazer e nos readequar, transformando nossos destinos mais dignos e mais humanizados. Além do mais, a luta histórica em que nos encontramos não é apenas por salários mais altos ou melhores condições — é por um novo modo de ser no mundo. Um mundo onde o trabalho não estranhe, mas que agregue; não oprima, mas liberte. Talvez o maior legado de Marx seja esse: lembrar-nos de que ainda somos humanos — e que, apesar de tudo, podemos nos tornar plenamente aquilo que somos.

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Ouvindo: “Don’t blame me”, The Exploited.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Medicina: Será que um dia iremos nos tornar um jacaré?



Depois da pandemia ouvi relatos de que condições particulares de alguns indivíduos possuíam certas anormalidades e que vinham afetando negativamente, não só seu organismo, como também o que se pode dizer do seu mental. Acalmem-se! Não se trata de uma revisão da Metamorfose, de Franz Kafka. Não está sendo flagrado por aí nenhum Gregor Samsa atualizado para versão réptil. Porém, vem acontecendo quadros clínicos com alguns pequenos detalhes nos prontuários de muitas pessoas. Comigo, inclusive. Notei isso desde a reação da minha primeira dose da vacina contra COVID-19. Tive sintomas que nunca experimentei - incluindo o estado psicológico mais deprimente enquanto doente e sem vontade nenhuma de levantar enquanto acamado.

Sabemos que aqui no Rio de Janeiro possuímos um carma com mosquitos. A dengue (e outras gangues) costuma trazer novidades patológicas, porém, foi depois da COVID-19 que as coisas começaram a ficar estranhas. Uma das coisas que ocorre é febre baixa - ainda que pareça normal -, dores em partes estranhas do corpo e uma condição psicológica diferente mesmo. Nós, portadores da sabedoria popular, estamos estranhando o que vem acontecendo conosco e, graças às redes sociais (e às fofocas também, por que não?), tomamos coragem para expor essas situações com a nossa saúde. Não estão relatando sintomas diferentes, mas estão diferentes a forma como eles aparecem e porque eles aparecem.

Por exemplo, depois da pandemia, por ventura, tive infecção gastrointestinal. Normal, acontece. No entanto, fiquei por três dias sem ter qualquer cólica. Coisa que nunca havia me acontecido. Outro ponto é que fiquei com dores no corpo (especificamente nas pernas), catarro, tosse seca, por cinco dias sem ter muita febre - acontecia exatamente à noite e não passava de 37,9º. Novidade também. Uma coisa interessante é que minha garganta nunca mais inflamou. E quero avisar que quando ela inflamava, eram 5 dias com febre altíssima! Só que, naquela ocasião, eu agia, era mais ativo. Agora, há algo, psicologicamente falando, que prega na cama e enquanto a febre/ gripe não vai embora, não dá disposição. Sequer fome!

Ademais, não diferente dos meus casos pessoais, ouço e leio relatos nesses sentidos também. Logo, não acontece só comigo. Agora, o mais preocupante, é que independentemente de gripe, febre ou doença por infecção, há com certa frequência uma desorientação repentina, um estranhamento consigo mesmo. Um estado psicológico diferente de quando se era acometido por alguma doença. Enfim, parece que o modus operandi das doenças mudou e temos que enfrentar quadros de doenças com outro espírito. Tem-se, portanto, aquela gripe que derruba, não só o físico, como também o psicológico. Pode anotar na lista de remédios, além dos antigripais, antibióticos, também antidepressivos.

Com isso dito, não quero afirmar que por causa da vacina agora estamos diferentes ou que viramos jacaré - muito menos a barata de Gregor Samsa. Não é o caso!!! Contudo, estou querendo apontar que estamos num determinado momento, diante duma situação, que ainda não sabemos de fato o que está acontecendo ou para onde estamos indo. Possivelmente, estejamos já tão abalados psiquicamente que, com o acometimento de um pequeno vírus, tudo o que consideramos mentalmente normal, se torne uma grande torrente nebulosa. Vejam: “Lapsos de memória, depressão e ansiedade podem estar relacionados às sequelas cerebrais da covid-19”, segundo o portal do Conselho Nacional de Enfermagem.

Brasil vive uma segunda pandemia, agora na Saúde Mental. Quadros de ansiedade e depressão aumentaram após a pandemia de covid-19. 

Não há provas de uma ligação direta entre um vírus que causa um resfriado com uma eventual depressão ou burnout na pessoa infectada; nem distúrbio no sono ou qualquer outro sintoma de saúde mental. Contudo, os diversos fatores aos quais estamos inseridos, principalmente com o fenômeno pavoroso que foi a pandemia, potencializou questões psicológicas que já lidávamos. Foi o somatório do estresse que já estávamos situados cotidianamente mais uma brusca perda de parentes, amigos, isolamento social e, naturalmente, a imaginação de uma catástrofe brutal com o planeta.

Por conseguinte, a título de conhecimento, as vacinas de COVID-19 aplicadas ao redor do mundo ainda estão em fase observação. Diante disso, acredito que possamos descartar vírus que estejam causando doenças mentais. Os cientistas ainda estão coletando os dados desde a primeira delas, que foi aplicada em Janeiro de 2021. Com isso, é de conhecimento geral que há novos sintomas surgindo em pacientes vacinados contra a COVID-19 e isso gera sempre um alerta, não só na comunidade científica, quanto na população. 

Ademais, uma questão: o paciente - vacinado ou não - é de extrema valia nesta guerra toda contra os vírus. Porque, somente o indivíduo sabe e pode descrever o que está acontecendo consigo, até mesmo diante de um resfriado qualquer: quem sabe o que se passa com seu corpo é o próprio indivíduo, e não o médico. Neste cenário, somente depois dos relatos dos pacientes é que se fazem as análises e se buscam as soluções. Por isso que é de extrema importância procurar um médico e relatar a ele tudo, mas tudo mesmo, o que se passa consigo. Devemos sempre ser pró-ativos e antecipar estas questões à medicina.


É preciso que se reitere: se há sequelas no corpo, há que se buscar atendimento adequado para tal; se há, além disso, problemas de ordem psicológica, o paciente deverá cuidar, além do problema físico, também da saúde mental com um psicólogo/psiquiatra. Pois, como vimos, está tudo ainda muito nas penumbras, além de cada dia surgir algo novo diante da contenda contra os vírus.

Dessa maneira, é notório que estamos como que de braços esticados procurando tatear alguma superfície - sequer temos noção se ela existe ou está próxima. O que há de fato é muito trabalho ainda no campo da saúde a ser realizado - com a ajuda da população - e, com certeza, aliado à alta tecnologia. Não me refiro somente aos melhores remédios e exames operados por I.A. ou robótica, não, mas prevenções e eficiência no remediar das causas.

Vejamos como um conjunto de ações e contribuições de áres distintas podem nos ajudar numa melhor qualidade de vida. Em Março de 2020 - em plena pandemia - o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han escrevia em sua coluna, no El País, que a Ásia já estava com a situação controlada enquanto o Ocidente fechava aeroportos - e só, como medida de “proteção”. Em contrapartida, na China, já se estava trabalhando com detecções dos últimos focos de infectados com ajuda da tecnologia e da eficaz medicina daquele país. Diz Han, “Quando alguém sai da estação de Pequim é captado automaticamente por uma câmera que mede sua temperatura corporal. Se a temperatura é preocupante, todas as pessoas que estavam sentadas no mesmo vagão recebem uma notificação em seus celulares [...] Se alguém rompe clandestinamente a quarentena um drone se dirige voando em sua direção e ordena que regresse à sua casa”. 


Provavelmente, no “mundo de amanhã”, saberemos do que mudou, do que resistiu, do que foi mérito da tecnologia ou do que foi obra da ação individual de cada um. Todavia, é assim que a medicina avança, que nós evoluímos e vamos deixando como legado uma vida sempre melhor e mais saudável diferentemente daquele que nos foi deixado. Neste sentido, até agora viemos sempre encontrando as melhores soluções possíveis para nossos maiores desafios. 


Acredito, por fim, que a medicina fará outra nova revolução no combate às doenças-por-vir e a tecnologia (se não nos destruir [risos]) fornecerá tudo o que precisamos para, inclusive, prevenirmo-nos de quaisquer ameaças microscópicas e também aquelas ameaças invisíveis, que pairam por sobre nossa cabeça nos atormentando, nos deixando ansiosos, depressivos e nos tirando o tranquilo sono de cada noite.

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