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sábado, 21 de março de 2026

Que Neurose!




Deus – deus fluido –, por que eu, Woody Allen, branco, homem, hétero, judeu, hipocondríaco de Manhattan com medo de sol, venho gravar na “cidade maravilhosa” e me deparo com uma cultura “woke” no Rio de Janeiro? Lá em Ipanema, mulheres cis (sic) ofendem mais por fazerem “topless” do que um assalto à mão armada; eu suaria frio: "O ‘Y’ do meu cromossoma é transfobia!?". Relativismo moral no Rio? Vejam! A verdade não existe - exceto o Samba da G.R.E.S. Acadêmicos de Niterói e a importância da primeira dama do Brasil no cenário geopolítico.


No Rio, sorrateiramente, se comenta: “‘mulher biológica’ vira crime pior que feminicídio”. “Erika Hilton processaria meu biquíni ‘fio dental’, ainda que seja da Shein”. “'CIS' soa como “Comissão Internacional Socialista”, não tem nada a ver com ser homem ou mulher”. 


Reflito algo. Sei que Foucault já esteve no Rio de Janeiro. Deu palestras, relativizou a feiúra e posou diante do Pão de Açúcar: "A VERDADE (pausa dramática), aquela que muitos dizem ser inconteste, NA VERDADE é uma construção". Logo, a construção é uma construção - entrará no roteiro. Filosófico isso. Gostei!


A biologia é negada, da mesma maneira que minha alvi epiderme nova-iorquina esteja recém bronzeada. Piada: no Rio, a fórmula de Bhaskara - que é indiano - é "matemática racista"; eu ligo pro terapeuta: "Doutor, sou fluido ou estou derretendo nesse calor carioca?".


Teoria do conflito no Rio: opressor na favela ou no Leblon? Eu, turista branco nova-iorquino, carrego uma "dívida histórica" por pedir feijoada completa para duas pessoas. Quem seria a outra? Zumbi, Dandara ou algum aluno de Serviços Sociais da UERJ? Tá, vamos lá! Sou o vilão branco judeu-neurótico, com dívidas históricas por… rir de mim mesmo. Ah, confesso: tenho ansiedade por acordar homem. 


Li sobre Paulo Freire. Li também uma de suas obras. Ele radicaliza com uma educação conectada ao cotidiano dos alunos e as suas experiências – no Rio, seria interessante educar em meio à invasão de uma facção à outra; educar em pleno “Jacaré x Jardim de Alah” em um domingo de sol. Piada curta: "Freire no Brasil: eduque revolucionários; eduque em consonância com marxismo. No Rio: eduque para responder aos processos do PSOL". Racismo estrutural? Meu sotaque gringo é "supremacia sionista" na Lapa.


Li que a Deputada Erika Hilton encontra-se caçando dissidentes, na capital do país. No Rio, às vítimas da sociedade, foi garantida a caça mediante posse de armas, além da concessão do direito de cometer quaisquer crimes - afinal, eles são vítimas. 


Outro fato: Isadora Borges processada por ser, digamos, biologista? Outra lá, dedicada mãe e simples mulher - não trans - presa por escrever com batom numa estátua. Com batom? Deve ter sido um lindo poema, de fato. Batom me remete às doces lembranças dos arredores de Manhattan. Diferentemente do que meus país judeus diziam: Em nossa época, quando víamos tinta escrita em nossos portões de casa, tínhamos que passar a viver no porão - por isso que você é calvo e tem 1,63 de altura.


No divã carioca, confesso: sobrevivo ao calor intenso, sobrevivo à Érika Hilton falando aos berros e também continuo vivo sendo hiperativo no calçadão de Copacabana. Amanhã, outro pavor: seria eu woke ou só um gringo perdido no Fashion Mall?". Riam da miséria, sim! No Rio, rir é resistência.


domingo, 17 de agosto de 2025

ATUALIZAÇÃO BETA v.5.7.0: AGORA MEUS ELETRODOMÉSTICOS SÃO PÓS-ESTRUTURALISTAS

Dizem, os pós-estruturalistas, que a linguagem constrói a realidade. Isso é ótimo, exceto nos dias em que eu preferiria que minha realidade viesse pirateada, com todas as etapas e funções desbloqueadas, atualizadas e traduzidas para o grego, enquanto eu descansava em minha mansão de frente para o mar Egeu.

De volta ao Oceano Atlântico, mais precisamente à Baía da Guanabara, é de se admirar tamanha ousadia: o pós-estruturalismo nos prega situações dignas de… se amar. Sabe-se que tem aquele cara que é viciado em leitura — e até aí, tudo bem. Mas, convenhamos… Passar 24 horas por dia agarrado às brochuras dos cânones franceses pós-modernos, como se a retina estivesse em ininterrupta sociedade com a benzoilmetilecgonina, é dose! Essas e outras situações foram constatadas, pelo menos nos últimos 4 anos, que tais indivíduos chegavam a níveis transcendentais a ponto de uma socialista-psicóloga ter que consultar a bibliografia inteira de Michel Foucault antes de postar que o verbo “vencer” é opressor demais para ser enunciado.

Se Foucault estivesse vivo, provavelmente teria um canal no YouTube e uma conta no Instagram para explicar como o poder opera por meio dos stories e reels.

O pós-estruturalismo oferece ótimas ferramentas para desvelar o mundo como ele é e escancarar toda sua complexidade fluida - e asquerosa. Imaginem só, um mundo moldado por uma pessoa que não para de tagarelar coisas aleatórias? Numa hora tu estás diante do belíssimo Estádio do Flamengo lotado por sua torcida. Daí, você se vira. Poucos segundos depois, quando você olha de volta, dá de cara com uma imponente mesquita com arquitetura da “Magic Kingdom” da Disney World; ao fundo uma imensa roda-gigante, enquanto que os líderes religiosos vestidos de Mickey Mouse, MC Pipokinha, Bumblebee e Optimus Prime, andam pra lá e pra cá pregando aos berros: Meditem! Meditem!

Partindo disso e admitindo que o discurso constrói a realidade, temo que o meu mundo tenha sido erguido sobre fundamentos linguísticos por ordens diretas do tipo “Vai chupar um canavial de rola”. O resultado seria uma civilização peculiar, em que o setor primário da economia teria forte apelo oral e as aulas de geografia envolveriam mapas agrícolas extremamente constrangedores. Imaginem! Até uma Bolsa de Valores de commodities, só que com cotações baseadas em produção de… Bem, prossigamos.

O pós-estruturalismo já nos avisou também: não existe significado fixo, permanente. O que há, de fato, é só um jogo infinito de interpretações. Traduzindo para a vida prática: você nunca sabe se a pessoa disse “Vá chupar cana” ou “Vá chupar rola”. E ainda tem gente que acha que isso é um problema moderno. Não, é um problema antigo. Desde a época das primeiras civilizações, dos nossos antepassados longínquos. Evidentemente, o vulgar “vá chupar um canavial de rola” já foi proferido pelos mais diversos idiomas, pelas mais remotas civilizações. Só que agora as redes sociais deram ao discurso o equivalente a um megafone interplanetário.

Pois é! Vivemos em um tempo onde o discurso não é apenas o que você diz à algumas pessoas, mas o que você posta e o mundo inteiro lê ou vê imediatamente - e, mais recente ainda, agora o mundo inteiro fica perplexo diante das conflitantes peripécias que a Inteligência Artificial produz. Sem contar o fato de que o que você posta não é exatamente o que você quer dizer, mas o que você acha que ficará bonito com um filtro e a mesma dancinha de sempre, é claro! É a “vida líquida” - conceito de Zygmunt Bauman; já eu, chamo de “mundo rosa” -, aquele em que todos estão felizes, são inteligentes e incrivelmente bem iluminados. E o que ilustra muito bem são o Instagram e o TikTok. Eis a nova Metafísica: todos têm uma essência muito próspera e meticulosamente editada por filtros, efeitos e, claro, discursos/ linguagens vazias sob uma dancinha asquerosa.

Que Neurose!

Deus – deus fluido –, por que eu, Woody Allen, branco, homem, hétero, judeu, hipocondríaco de Manhattan com medo de sol, venho gravar na “ci...