sábado, 12 de novembro de 2016

Mais ou menos surreal.




Um belo dia,
Numa noite fria,
Acordei do nada;
Me dei conta, era madrugada.
A Lua iluminava o quarto,
Pela janela, refletia no tapete.
Sua luz, em um grande quadrado,
No chão formado, de cor branca,
Trazia monstros e o cacete.
Não me contive e pulei;
Naquele desenho no chão,
Me joguei.
Entrei no mundo surreal;
Tinha de tudo! Desde um monstro velho,
A um Vampiro bem legal.
O monstro, rabugento, não parava de falar,
O vampiro, coitado, tentava o calar.
Dizia coisas sem nexo.
Tentando fazer rimas.
Era uma língua incompreensível,
Parecia mandarim, da China.
Eu perguntei ao conde Vampiro:
“O que esse monstro diz, não entendo?”
O vamp respondeu:
“Sei lá, também não o compreendo!"
“Quer saber, vamp, vam bora?"
"Vamos tomar uns vinho por ai...”;
“Só tomo laranja com acerola” - respondeu o conde.
Que olhou pra bem longe,
Virou pombo, bateu asas e partiu.
Perguntei: “onde vais?”
“Pra puta que o pariu!”
E fiquei lá, bolado e sem ter hora.
Havia levado do pombo-vampiro um fora.
Um diálogo com o monstro me sobrou.
Mas o cara não sabia nem falar,
Que horror!
Tentei puxar assunto, tentei dizer olá;
E o cara tagarelando sem parar!
Até que num momento ele disse “gol”
Uma palavra? Uma expressão?
Será que é flamenguista como eu sou?
Monstro, favelado? Existe isso desse lado?
Afinal que lado estou?
Inferno ou o paraíso?
Se for um dos dois,
Vão me arrancar muito riso.
Inferno com vampiro que vira pombo? Que figura!
Que bebe acerola, laranja?
Ele fala palavrão, quanta lisura!
Ou um monstro no céu, daquele tipo?
Seria uma especie de “anjo-hemipo”?
Não, não dá pra crer.
Melhor eu pedir pra parar;
Pedir pra descer.
Já chega a brincadeira acabou.
A Lua se foi, o Sol raiou.
O calor está infernal.
Queima tudo, falou?
Queima o rabo, queima o pau.
Voltarei pra minha cama,
Que é o melhor lugar.
Aqui eu vivo, eu sonho, eu viajo;
Sem sequer sair do lugar.


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