sábado, 29 de outubro de 2016

A paz sucede à guerra


“Não! Não era vermelha a sua vestimenta!”, “Não pode ser… Era sangue?”, “O príncipe, lutando?” - esses eram os burburinhos dos cidadãos local, que, em fuga, avistavam um alvoroço ao longe. Subindo um monte que cercava a cidade, os moradores se refugiavam para fora dos muros da cidade. O monte, rico em vegetação, também servia abrigo para estes casos. Era bastante provido de alimento. Abaixo deles, ao longe, ocorria uma batalha sangrenta. Tingido de vermelho, continuava o jovem guerreiro e, príncipe, a lutar em defesa de seu povo, de sua nação. Portava um escudo de madeira maciça; nas bordas havia um belo acabamento de prata bruta, muito bem polida, contornando o objeto de defesa na arte militar da época; no centro, inclusive, uma espécie de brasão brilhava feito a luz do Sol. Sua espada era simples, como o próprio portador, apesar de príncipe. Jovem, de alta estatura, tez negra, olhos serenos, porém carregados de fúria, ou seja, o sangue corria em seus olhos naquele momento, usava uma destacada e longa espada, afiadíssima, à mão esquerda. Muito bem acabada, mas uma arma normal para o porte do nobre. Parecia recém forjada; outra espada menor tinha em sua mão direita, braço qual portava o pesado escudo também. As armas, ou melhor, o metal em si, naquela região, era o mais resistente e mais puro de todo o mundo, assim como o tecido também era muito suntuoso, oriundo da natureza. A Mãe-África abençoava seus filhos ricamente. Não era atoa que havia invasões em terras alheais periodicamente; fossem por motivos de secas, ou cheias; doenças nefastas ou por simplesmente ganância a meros recursos naturais ou, simplesmente por causa do luxo. Havia sempre motivos para um povo atacar a outro. Inclusive o próprio príncipe, que bravamente defendia os seus, que possuía extenso exército e um belo e fidedigno povo, conquistou-os através, também, de lutas.

Em regiões da África era comum povos famintos, miseráveis, devido aos infortúnios da própria natureza, na maioria dos casos, aceitarem um novo rei, ou um líder. Muitos peregrinavam em busca de um novo vilarejo, na esperança de criarem seus filhos saudavelmente. Passavam daí, a servir em troca de terra, alimentos, plantio, colheita, enfim, melhores condições de vida. Aceitavam o trabalho imposto e eram muito bem recompensados, inclusive, primeiramente com terras. A terra na África é sagrada, e ninguém tinha o direito de possuí-la, sequer negociá-la. O súdito que nascesse sob império do seu senhor, este já teria liberdade para possuir grande extensão de terras, e podia livremente trabalhar para ter seu sustento. Tanto indivíduo de classe mais elevada, ou de “sangue nobre”, quanto um lavrador, todos estes possuíam o mesmo direito, o da terra.

Ao rei de Ejigbo, só lhe era devido parte da produção, como uma espécie de dízimo. Havia prestação de contas em praça pública, e no final das contas, literalmente, havia uma feira livre onde todos pudessem expor suas mercadorias e artesanatos e etc. E o montante do dízimo, de todas as produções, que geralmente eram verduras, legumes e grãos, iam para suprir o exército, o reinado em si e àqueles que se encontravam privados de saúde ou trabalhos pesados. Contabilizando crianças e mulheres gestantes, principalmente. Tanto o rei, quanto o seu filho, eram extremamente inteligentes. Pacíficos, principalmente. Mas o jovem príncipe, contudo era mais idealizador e revolucionário. É contraditório citar alguém como pacífico, sendo que se encontra banhado de sangue, em plena batalha. Mas é importante e justo afirmar que este jovem “príncipe-guerreiro” não entrava em batalha alguma. Na verdade ele não prezava por guerras. Lutava de outra forma, para que futuras brigas não acontecessem. Era totalmente pacificador, conciliador. Realmente ele evitada disputas, brigas e guerras em geral. Sabia apenas se defender, claro, mas atacar, nunca! Mas quando ia à luta não era para perder. Ele desconhecia a derrota: tanto física, quanto intelectual.

Bem mais jovem, o príncipe, na primeira vez que lutou não usou nenhuma arma, não estendera sua mão contra ninguém. Afinal sua luta era contra a guerra – um contrasenso, mas era verdade. Sua luta era contra qualquer tipo de violência. Só em casos extremos de defesa pessoal ou em defesa do próximo que ele usava sua força. Sua luta era pela paz. E no passado ele teve seu primeiro desafio: sua luta fora contra a fome. Que matava aos milhares na época.

Há relatos de que numa triste noite o príncipe, em seu cavalo, passava por uma aldeia a caminho do castelo de seu pai. Ele nunca havia escutado tanto lamento e visto tanto sofrimento. A escuridão caia sobre o povoado alheio. Era uma região bem remota, quase o príncipe não tomava aquele caminho. Mal a luz da Lua conseguia iluminar aquela terra. O senhor daquela aldeia, e todos os seus líderes, haviam sido levados pela morte. Esta era chamada pelo nome de Iku. De tudo faziam para que Iku não levasse mais nenhuma pessoa. Ofertavam animais, num ritual de desespero, em troca de mais vidas naquela terra e maior prosperidade. Nada impedia a subtração das vidas. Eis que, com o sentimento em ajudar ao povo, o jovem príncipe, deixara seu cavalo, e ia a pé ver com os próprios olhos o caos instaurado no lugarejo. Um homem, destemido, alto, fortíssimo, todo de branco, tão iluminado que os caminhos da escura noite reluziam. Portando armas, caminhando por sobre aquele solo bucólico, chamou a atenção de todos, inclusive de Iku.

Iku, então, passou ceifando a vida de uma criança. E tome dor. E choros, lamentações... Com ar de imposição e intimidação, Iku deu o seu recado: “quem manda aqui sou eu”. O belo príncipe ignorou ao fato e perguntou a um dos guerreiros da pequena cidadela: “O que os faz morrer? Por que Iku os leva?”
  • Não sabemos, meu senhor... – respondeu o rapaz, já abatido e pálido.
  • Como assim? O que fazem aqui, quais seus costumes, seus modos? Ofenderam ao Orum?
  • Não sei lhe explicar muito bem. Sei, somente, que nada nesta terra dá frutos. A única coisa que plantamos aqui é milho…
  • Cadê estes milhos?
  • Próximo aquele córrego – apontou o garoto.
  • Aquele rio, é fétido! Vocês consomem água dali?
  • Sim senhor!
  • E o milho está seco demais, quiçá impuro! - indignava-se o príncipe.
  • Como devemos lhe tratar, oh príncipe?
  • Iyan.

Iku, naquele momento, cercou o jovem príncipe, e soprou em seu ouvido: “queres ser o próximo?” Iyan, em voz alta, ignorando a morte, sem desafiar a ninguém, nem desejar nada em troca, prometera voltar e findar os óbitos e toda aquela desgraça. Iku o desafiou, e deu a ele um prazo. Mas que somente o príncipe saberia a hora certa. “Irei embora assim que tu me acompanhardes” - convidou Iku. E o príncipe o respondera: “Irei daqui, mas sem a ti. E voltarei, tão logo, mas trazendo comigo muito ferro e muita força!”. Iku se esvaiu na noite escura sem dizer quando voltava e nem o que faria. Neste exato momento o céu fez brilhar as estrelas, a Lua iluminou caminhos. Imediatamente o príncipe retornou ao reino de seu pai e lá convocou sete homens. Cavalgou uns dias até o próximo reino de um velho senhor advinho, muito amigo de seu pai, e, à sua filha solicitou sua presença. Iyan explanou toda a situação e a jovem princesa ficara com o coração partido. O príncipe, então, poderia contar com a ajuda da linda princesa, que possuía poderes magníficos. Sim, feiticeira nata! Mas é importante frisar, que ela não tinha ciência de seu encanto. Somente o rei Lufan, de Ejigbo e o próprio pai da moça, Orumilá, o advinho, é quem sabiam do seu segredo, mas não lhe contavam, pois não era chegado o tempo. Mas a presença da linda donzela, bastava para afastar qualquer mal, feitiçaria, infortúnios, mazelas e etc. Dócil, meiga, tenra, amorável, sua bondade para com o príncipe não tinha limites, nem indagações. Ela topara a “aventura” e partiram então, montados em seus cavalos. Ela toda produzida, parecia que ia se casar com o príncipe; montada no ouro, joias belíssimas. Iyan brincava com os penduricalhos da linda negra, dizendo que os tilintar de suas joias ia chamar a atenção de todos na África.
Após um dia de viagem, somaram-se ao grupo dos soldados que estavam acampados à espera de seu príncipe, no meio do caminho e partiram para a aldeia sinistra. Passadas algumas manhãs, e tensas noites, já no alvorecer, eis que o jovem guerreiro já avistava a aldeia de longe, com seus soldados fiéis. Um deles, seu amigo desde a infância, e outro componente, a mulher mais linda que toda aquela aldeia já havia visto. Se aproximando, ao sentir a presença dos guerreiros, Iku chegou ameaçando levar seu melhor amigo. Este caíra do cavalo e sob um estado inconsciente ficou falando palavras incompreensíveis. O povo o socorreu e lhe deu amparo através de orações enquanto lhes batiam com ervas quase que secas. Sem sucesso. Iyan partiu, então, para a luta. Carregava consigo muitos sacos de um estranho objeto, à primeira vista. E outro saco de uma espécie de raiz. Jogou-os no chão e convocou a todos.
  • Não houve tempo o suficiente para forjar teus ferros e armas, guerreiro? Vais me atacar com esses objetos coberto de terra, lama, nesta linda e quente manhã?” - caçoava Iku.
  • Forja? Quem falou em armas ou algo do tipo?
  • Dissestes que iria trazer ferro e força! E me vens com isso? E essa mulher? Consegue segurar uma espada? Vejo que ela segura uma flor. Vais me dar flor? Eu até gosto, afinal eu sou a morte... - ria Iku.
  • Isso que trago comigo realmente não é espada, lança, arco ou flecha. É a terra! Veio da nossa sagrada Terra! Isto possui mais ferro do que qualquer espada desta cidadela. Eis aqui em minhas mãos um alimento, rico e nutriente.
  • Irás me derrotar com isso?
  • Já o derrotei, morte! Vá! As pessoas irão se alimentar. Apreciarão o inhame. Ficarão de pé! Lutarão contra ti. Viverão e herdarão à terra.
  • Com aquele rio podre? - questionou Iku.
  • Deixe comigo, meu príncipe intrometeu-se sutilmente Osum, caminhando elegantemente, sensualmente até a beira do rio, com belos e vivos lírios em suas mãos.

“Homens!” - ordenava o príncipe. Seus soldados começaram a cavar o chão com pedras recolhidas ali mesmo na aldeia. A cada estocada, era um estrondo que fazia tremer a terra em toda África. “Que bom exemplo, - comentou Iku - cavando sua própria cova?” “Não! São sete poços” – respondeu o príncipe. Sete homens furaram tão profundamente que descobriram poços d’agua. Fonte pura, límpida, de água, de vida. Iku, deu-se por vencido. Já havia soldados da aldeia de pé e a postos, prestes a servir ao seu novo príncipe. Isso não agradara muito a Iku, pois achava-se traída. “Você barganhou! Me enganou!” - dizia a morte. E o povo celebrou: Viva Iyan! Enganou a morte! Então, diante da sabedoria do jovem príncipe, Iku decidiu ajudá-lo. Se tornara mais simpática ao jovem guerreiro, que, por sua vez, não usara arma nenhuma. Iku, deu-lhe mais sabedoria e serenidade e tornou-lhe líder daquele povo, daquela aldeia. Tudo prosperou, e o povo se multiplicou. O rio, agora possuía água cristalina, tão pura que alimentava a quem o bebesse; tão mágico, que, quem se banhasse, teria sua alma lavada. Ciente disso, o pai do jovem guerreiro ordenou que seu filho fosse em busca de suas terras e reinasse seu amado povo. Mas ele se recusou a sair de Ejigbo. Eis que o já então nomeado, e justamente príncipe, foi o principal defensor da cidade em sua primeira guerra com armas.

E foi nesta linda e maravilhosa, próspera e rica Ejigbo, que a batalha se dava, devido a uma invasão de outros povos. Riqueza! Era o brilho nos olhos de povos mais rudes. Seu pai, velho e cansado, Lufan, queria negociar com os rebeldes. Mas seu filho sabia que não iria haver conversa alguma. Portanto, Iyan, príncipe de Ejigbo, lutou como um “louco”. Nunca atacara a ninguém; vencera e enganara até a morte; mas quando era ameaçado, e quando atacado violentamente, a resposta era mais violenta do que pensavam os adversários. Apenas com seus homens fieis, cerca de sete guerreiros, os pilares de seu reino - general do exército de seu pai; querido príncipe de Ejigbo, altivo, nobre senhor do maior reino em plantações de inhame, entrou com passos decidos na linha de frente, perante aos inimigos. O príncipe estocava um golpe e se defendia de outro. Era assim: uma porrada, e uma proteção com seu escudo. Eram tantos golpes, que sua espada perdia o fio. “Essa navalha cega, toma!” - esbravejava o guerreiro. Ora chegava a ser confundido com outro guerreiro sanguinário, pavoroso, extremamente forte, impávido general do melhor e mais forte exército e melhor amigo de Iyan, quase que irmãos. Falo do famoso inventor e forjador de armas, o general e invícto rei de Irê. Ao longe, ao ver tanto sangue em suas vestimenta, e tanta maestria e habilidade com armas, os cidadãos confundiam-se: “Seria o rei de Irê?”

Mas nesta batalha, Iyan, incansável, incontrolável e insano, já estava tomado por algum espírito da guerra. Seus inimigos não mais sofriam um profundo e fatal corte, ou seja, uma morte mais rápida da bainha da espada de ferro nobre. Não! Eles, bizarramente, eram partidos ao meio, mutilados, tamanha força era o golpe de fúria do príncipe, e tamanha era brutalidade. Vivos ficavam até que seus sangues vasassem todos de seus corpos. Sua espada estava cega, não cortava, dilacerava, destrinchava ou aleijava. Isso o irritava, pois Iyan era um tanto perfeccionista. Gostava de tudo como a natureza impunha. Uma espada, para ser espada, tinha de estar afiada, se não, ele não usava mais a espada. Para Iyan, espada sem fio, era um pedaço de ferro, ou metal. O príncipe largava a batalha quer onde estivesse e voltava correndo ao castelo de seu amigo, rei de Irê, para mais forjas. Este, exímio forjador, era tido como o dono dos metais e ferros de toda África. Não só forjava armas e ferramentas, como também as usava com peculiadirade. Manejo ímpar com armas curtas e longas. E quando da chegada de Iyan em seu castelo, todo ensanguentado, com olhos esbugalhados e irado, o general, que é famoso por ser cruel, impiedoso e carniceiro, ficou tão sem ação e tão temeroso ao seu amigo príncipe Iyan, que prontamente lhe ofereceu para a batalha:
  • Fique! Eu irei em teu lugar. Governe Ifé, caso eu não volte – estava tão desnorteado, que o invencível rei de Ifé, cogitou uma possível derrota sua.
  • Onde que tu irás ser abatido em campo de batalha, Ogum? O que há com você? Virou tolo agora? Por acaso tu és general a ser derrotado?
  • Mas é que…
  • Faça, agora, neste momento, mais armas para mim. É uma ordem!
  • Estou só, meu irmão… Não darei conta.

Ogum estava confuso. Nunca havia visto seu amigo, melhor amigo, querido amigo, banhado em tanto sangue em suas lindas vestes brancas. Ogum, na verdade, era o soldado, e posteriormente o general que se banhava em sangue; que era tomado por ira em qualquer situação. Este sim, que tinha a fama de “brigão” (no sentido carinhoso da coisa) e não o seu amigo. O general nunca esperava isso do melhor amigo e se sentiu impotente. Ficou ansioso, indócil, pois não podia saber de alguma guerra, ou uma briga qualquer que logo queria se meter. Então, sedento, se sentiu na obrigação de lutar no lugar do amigo, enquanto este planejava, criava táticas e ações. Na verdade sempre fora assim desde quando os dois se conheceram. Mais inteligente, Iyan, arquitetava, nas caçadas, os cercos, os caminhos, os modos de ataque, todos os detalhes; o general executava com perfeição. Afinal, como soldado, Ogum, o que mais sabia fazer era acatar ordens. Até o dia em que se tornou general e tomou gosto por dar ordens. Mas ele agora que se via ordenado a executar ordens e duras ordens. Coitado do general se ele a recusasse ou questionasse qualquer coisa.

·         Peça ajuda de tua mulher – comandava Iyan.
·         Ela está atarefada, meu amigo… E no mais, estou sem lenhas para fogueira. Como irei à forja das armas?
·         Eu já trouxe lenhas. Ordene-a a “soprar” o fogo enquanto tu cria as espadas.
·         Mas…
·         Agora, Ogum!

O general solicitou a inegável e perfeita ajuda de sua mulher, que prontamente ela se fez presente. Sua mulher fazia uma “calorosa” diferença, na produção. Justamente “soprando”, ou seja, abanando a fogueira com intuito de se aumentar a intensidade do fogo, gerando mais calor, gerando mais forjas, ou seja, mais armas. Ela tinha um poder de “criar” ventos. E com isso vinham tempestades, carregadas de raios. Ogum tinha ciúmes de sua mulher, também guerreira, com seu melhor amigo. Ogum tinha ciúmes até de seu cavalo, de sua espada... Isso era natural do general. Mas nesse caso ele tinha um pouco de razão, pois, sua mulher, como guerreira nata, apreciava guerreiros também. Foi assim que eles se conheceram, por sinal, e lutando. E quando a mulher de Ogum, bateu seus aguçados olhos de águia em Iyan, ela ficou um tanto enfeitiçada. Aquele jovem enorme, bufando, irado, ensangüentado, porém de vestes brancas… “Quem vai a uma guerra de branco, a não ser que seja pedir a paz? Que homem corajoso!” - pensava ela. Primeiro ela fez lhe oferecer um banho fresco, e repouso. Com suas afáveis mãos, tocou os ombros do jovem príncipe. Grosso, naquele momento de fúria, e sede por batalha, Iyan lhe deu um fora e pôs a guerreira mulher aos trabalhos, deixando a sem graça e sem reação. Ogum, abriu um leve sorriso no canto da boca, acalmando-se e ciente de que não havia disputa pela frente, com seu melhor amigo.

A ira do jovem príncipe, que se veste de branco, é de uma força que talvez nem ele próprio saiba o que é estar nessa natureza. Ninguém se arrisca a contrariá-lo, muito menos a afrontá-lo. Em seu dia-dia, Iyan é um homem doce, cativante, criativo, engraçado, educado ao extremo, generoso e muito prestativo. O seu negativo atinge ao extremo disso tudo. É algo inexplicável. Seu amigo, Ogum, sempre diz: “você é oito, ou oitenta!” Apenas seu amigo Ogum é capaz de acalmá-lo. Ou o carinho de uma bela mulher…


Sem querer perder mais tempo, pois o reino de seu pai estava sendo atacado, o príncipe de Ejigbo, então, ordenou a todos: “Não quero ver ninguém parado. E eu não quero saber de banho...” - ralhava enquanto esmagava, num pilão, inhames para seu consumo. Aquilo era sua energia, sua força, sua essência. Não à toa que seu nome Iyan, quer dizer “inhame pilado”. E assim, pronta suas armas, partia em seu cavalo incansável, o jovem príncipe. Toda vez que ele voltava da batalha, sem dizer uma palavra, Ogum e Iansã, corriam para a forja e acabamento de novas armas. Iyan deixava espadas antigas amontoadas, inúteis, para que destas, fossem preparadas outras novas. Forjava-se com vísceras, carnes, sangue e tudo mais. Retornava ao campo, lutava, cegava novamente suas armas de tantos golpes desferidos e defesas realizadas e voltava para o castelo de Ogum para conseguir mais espadas. Que era a forja da forja, ou quando Ogum cismava em forjar com ferro novo e mais forte. Mas no geral era a espada usada contra os próprios inimigos que se reciclava. “Sinta teu próprio sangue, da tua própria arma, da tua própria alma, seu tolo” - gritava enquanto abatia seus inimigos na batalha por suas terras. E assim seguiu até que Iyan tivesse limpado os campos em Ejigbo. Não havia mais nenhum oponente de pé. Somente seus homens e o próprio, imponente. Banhado em sangue, suor, tomado pela sede de batalha,  com finalidade, sempre com esse fim, a paz.

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