domingo, 24 de abril de 2016

Anjo quase obscuro.



Hoje vi um cara estranho.
Se auto intitulava Anjo da Morte,
Não possuía nenhum rebanho,
E sua espada, sem fio, não fazia corte.

Era um cara sinistro sim e solitário.
Gostei de suas asas e trajes cinzentos.
Ele curtia ficar a sós no calvário,
Recitando longos mantras de lamentos.

Até que seu timbre de voz não me assustava,
Sua face sem expressão também não.
Parecia que um efeito sonoro o imitava,
Em lugar de seu rosto havia um borrão.

O cara era cômico e tinha um papo legal.
Articulava sobre a morte, a vida; céu e inferno.
Distinguia bem o carnaval do Natal,
E dizia que enquanto vivo só andava de terno.

Eu ri, pois o achei melhor agora do que em vida,
 Porque estes não valem uma xícara de café.
Geralmente os de terno têm uma vida bandida,
E são exímios ladrões ou negociantes da fé.

O pobre anjo concordou e riu também.
Lembrou de um humilde senhor carpinteiro.
Quando tentou instruir a todos da Terra e do além,
Dizendo que, para tudo, o amor vem primeiro.

O estranho anjo de cinza se despediu.
Educadamente me felicitou e foi-se embora.
Dentre muitos fui o único que para ele sorriu,
Deixando-o intrigado com nossa breve prosa.

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