quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A múmia



Parado, imóvel, quase que sem respirar.
Apenas pisco. Eu consigo!
Pareço estar sereno, tranquilo.
Só pareço estar.

O que se move em mim não é material.
É puramente sentimental.

O pensamento rapidamente voa,
Eternamente ecoa,

Se expande como um grito,
Um lamento desde o antigo Egito.

Temo a solidão, mas tenho ciência dela.
Nenhuma droga pode vencê-la, nem mesmo uma donzela.

Imóvel continuo, mais a ânsia me domina.
Quanto mais penso, me apavoro mais.
Ouço coisas absurdas, nada me anima.
Vejo o tempo correr para trás.

Estou retrocedendo, não consigo parar.
Sou uma louca voz que não quer se calar.

Minha fala me machuca, perturba.
Seguindo assim irei falecer.
Não consigo à minha mente calar,
Só posso esperar acontecer.

Desse caos não sentirei saudades.
Vou sumir, viver na escuridão.
Isso não é um desejo, é necessidade.
Sumir desse planeta, dessa podridão.

Ninguém jamais irá me ver, ouvir falar.
Vou voar para bem longe do sistema solar.

Materialmente não. Impossível seria.
Sim em pensamento, essa proeza eu faria.

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