quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A dor da alma



O grito da alma mais silenciosa,
Externa-se da forma mais misteriosa.
Vigorosa.
Que nem mesmo a mãe,
De todos os sons já produzidos,
Suportaria tal efeito.

Se fosse assim, jazeria no leito,
Mesmo em seu estado mais perfeito.
Tal sonoridade, de forma majestosa,
Preencheria todos os espaços dessa esfera rochosa.

A dor da solidão.
É como a imensidão, sem dimensão,
Do turbilhão de estrelas, de Luas e de Sóis.
Desse céu infinito, que por acaso termina,
Debaixo dos meus lençóis.

Este que entende meus prantos e se ensurdece tanto,
Que até esquece o tema de minha dor.
As vezes preciso acender um letreiro.
Na fronha de meu travesseiro indicando:
"Hoje não está dando, meu senhor!"

A dor que me consome.
Que se embebeda de minha acidez.
Toda vez que eu, em plena lucidez, penso em vocês.

As lagrimas dançam ao som da valsa sombria.
Enquanto que, na luz do dia, meu olhos se fecham.
E já não possuem força para lutar.
Em meio a tanta zombaria.
Que me atormenta como uma pesada artilharia.

Queria eu assim:
Desdobrar a física.
Burlá-la.
A morte, a mim não sorrir.
Com ela brincar, me divertir. 

Queria eu assim.
Ir sozinho, quietinho.
Montado numa estrela cadente.
Daqui à próxima galáxia em um dia. Sumir!
Ir de encontro ao meu astro regente.

Nos dias da noite. Das noites, o dia.
Assim eu iria, debaixo de açoites, percorrendo, todavia, 
O espaço infinito que me comprazia, que Deus fez em seis dias.

Ah, como real é o meu desejo:
Enquanto vocês dão suas risadas,
Longe sigo sereno em minha caminhada.
Sim, riam.
Não de alegria,
Mas de falsidade, eu diria.

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