terça-feira, 26 de agosto de 2014

Quando a chuva cai

Cinza, prata, cinza,
Chuva que cai do céu, seja bem-vinda!
Dando frutos, dando vida.

Quando tu cais no vasto verde

O reflexivo espelho se forma
E nele teu rosto se perde
Em meio ao tom cinzento
Não de sofrimento
Mas de crescimento
Da esperança da fartura e fertilidade

Se me molho todo
É porque em ti, temporal,
Eu me aprazo e me debulho em felicidade
Elevo minha moral
Retiro todo o mal
Lavo meu corpo, minha alma
Fico farto, fico limpo

Debaixo da amendoeira,
Que ampara-me das doideiras
Onde tu escorres
Como uma menina choradeira
Encantada com a esperança
De ser amada, apreciada, tocada
No ponto fundo, mais profundo do coração

Luz que irradia, dissipa toda essa rebeldia
Que de noite e de dia
Fazendo chover
Molha toda a via
Ruas e caminhos

Não é o dilúvio
Que comete o óbito
Eis o homem que não respeita, óbvio
Que se sujeita a enfrentar-te

Oh! orvalho intenso, infinito
O tudo sem início, o nada sem fim
Faz de mim o ser amado
Lavado, renovado, purificado.
Em todo esplendor

Sem dor, sem rancor
Sem raiva, sem amargura
Todavia, com muito amor

Gota majestosa, que tanto bate quanto fura
Livrar-me-á de todo o mal
Jura, jura, jura com ternura
Repleta de doçura

Pois sou filho seu,
Eu, você, somos criação
Somos unos.
Eu sou você, você sou eu!

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